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A esperança parental

  • Nathalia Santana e Lorrany Tolentino
  • 5 de out. de 2020
  • 4 min de leitura

Atualizado: 9 de nov. de 2020

Infográfico por Giovanna Rebelatto/Infogram

De acordo com 10º relatório do Sistema Nacional de Produção de Embriões (ANVISA, 2016), os brasileiros estão cada dia mais confiantes na procura da técnica de reprodução assistida para sentirem a almejada felicidade parental. É possível acompanhar essa evolução desde o levantamento de 2012.


No ano de 2016 foram congelados cerca de 66.597 embriões em todo o país, e esses números

representam mais que o dobro em comparação aos dados do ano de 2012, quando o estudo das clínicas participantes da pesquisa apresentavam 30.000 embriões congelados.


A reprodução assistida pode ser feita pela técnica de inseminação artificial (IA) e suas sub técnicas - a inseminação intrauterina e inseminação intracervical. Apesar dessa técnica ser a pioneira, ela não é a mais indicada atualmente.


Em entrevista concedida ao nosso portal, o especialista Doutor Gustavo Nardine, da Clínica Mater Prime, explica que a inseminação artificial é pouco utilizada em reprodução humana e que sua taxa gestacional é relativamente baixa, entre 15 a 20%.


Outra técnica utilizada é a fertilização in vitro (FIV). Nardine afirma que esse é o método mais recomendado atualmente pelos especialistas. "A FIV tem apresentado 50% de sucesso nas taxas gestacionais”, afirma.


De acordo com o site Medicina S/A, o Brasil está no topo do ranking latino-americano dos países que realizam reprodução assistida. Os dados foram apresentados pela REDLARA - Rede Latino-Americana de Reprodução Assistida, em 2019.


Engana-se quem acha que só pessoas que não tiveram filhos procura pelas técnicas. Paula Lima, de 34 anos, já teve 2 filhos de forma natural, e agora, após 1 ano de tentativas frustrantes, decidiu optar pela FIV.


A explicação da REDLARA para o Brasil ocupar o primeiro lugar é que além de ser o país com maior população da região, ele também abriga 40% dos centros de reprodução assistida.


A pesquisa de 2019 também aponta que houve uma mudança nos perfis dos pacientes. No ano 2000, mulheres abaixo dos 34 anos eram a maioria; em 2016 essa parcela passou a representar somente 28% dos casos. Já entre as pacientes de 40 anos ou mais, o percentual subiu de 14,9% para 31%.


Galeria por Giovanna Rebelatto/Canva

Eliana Guebara e Paula Lima, tentantes da Reprodução Assistida (Divulgação/AcervoPessoal).


“Sabíamos que, com 45 anos, são poucos os casos de sucesso de gestação natural, mesmo meus exames sendo ótimos, e de ter uma quantidade ótima de óvulos para minha idade”,

explica Eliana Guebara. Ela também já engravidou de forma natural 2 vezes, e o desejo de ser mãe novamente surgiu agora no segundo casamento.


O fato é que as mulheres não servem somente para cuidar da casa e reproduzir, como acontecia antigamente. Cada vez mais independentes, focadas em suas carreiras e estudos, o desejo de ser mãe muitas vezes chega mais tarde.



A importância da rede de apoio familiar e especializada



Infográfico por Giovanna Rebelatto/Infogram


Porém, quando é chegado o momento, nem sempre a situação é fácil. Eliana comenta que sofreu muito com as tentativas de fertilização que, com a alteração dos hormônios, acabaram agravando seu emocional, gerando ansiedade e irritabilidade.


Não só pelo momento delicado, antes de passarem por um centro especializado em reprodução, muitas pacientes acabam optando por métodos não verídicos nas diversas tentativas de engravidar natualmente, - como o caso de Paula Lima, que fala sobre a procura de soluções em remédios sem prescrição ou até mesmo o extremismo de seguir dicas encontradas no Google.


A psicóloga especializada em reprodução assistida, Valéria Teixeira, alerta sobre os transtornos emocionais, e como a psicanálise pode auxiliar antes, durante e até mesmo depois do tratamento.


A especialista enfatiza a importância do acompanhamento psicológico em todas as fases e lembra que “não existe uma receita” e que cada caso é um caso, porém com a terapia ajuda no esvaziamento da ansiedade criada em cima da expectativa da maternidade. De acordo com sua experiência, muitas vezes a mulher não consegue lidar com o desejo avassalador que faz parte do dia a dia, e “isso faz com que ela volte o seu olhar somente para que está dentro desse contexto, gerando assim o sentimento de impotência", detalha Teixeira.


Após um resultado negativo, os familiares e amigos que fazem parte da vida dos tentantes muitas vezes também colaboram para o aumento desse sentimento de cobrança e frustração. “Muitos casais têm vergonha de contar que estão em processo de tentantes. Esse medo é fruto das constantes perguntas e cobranças feitas pelo ciclo social do casal”, relata a especialista.



Infográfico por Giovanna Rebelatto/Infogram



A reprodução assistida cresceu e se modernizou ao longo dos anos. Hoje conta com métodos mais eficazes e até mesmo amparo emocional, mas vale lembrar que ainda assim trata-se de uma técnica com um custo alto. A fertilização in vitro, por exemplo, custa em média R$ 20 mil na primeira tentativa, de acordo com a Clínica de Reprodução Humana Mater Prime.


O Sistema Único de Saúde (SUS), em parceria com 12 instituições públicas, oferece a possibilidade da reprodução assistida para classe média baixa brasileira, mas as filas de espera se estendem por mais de três anos.


As doze casas de saúde que mantêm parcerias com o programa do SUS para a realização dos procedimentos IA e FIV:

  • Belo Horizonte (MG) – Hospital das Clínicas da UFMG;

  • Brasília (DF) – Hospital Materno Infantil;

  • Goiânia (GO) Hospital das Clínicas;

  • Natal (RN) – Maternidade Escola Januário Cicco;

  • Porto Alegre (RS) – Hospital Nossa Senhora da Conceição (Fêmina);

  • Porto Alegre (RS) – Hospital das Clínicas;

  • Recife (PE) – Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira;

  • São Paulo (SP) – Hospital das Clínicas de São Paulo;

  • São Paulo (SP) – Centro de Referência da Saúde da Mulher de São Paulo/ Pérola Byington;

  • São Paulo (SP) – Hospital das Clínicas Faeba de Ribeirão Preto;

  • São Paulo (SP) – Unifesp

  • São Paulo (SP) – Faculdade de Medicina do ABC.

Todas estão localizadas em grandes metrópoles e quase 50% das clínicas estão na Cidade de São Paulo, impossibilitando ainda mais as chances de o tratamento alcançar a todos os que necessitam.

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2020 Reprodução Afetiva. 

 

Por: Giovanna Rebelatto, Júlia Legatt, Loranny Tolentino e Nathalia Santana 

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