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Um ato de amor

  • Foto do escritor: Júlia Legatt Choan
    Júlia Legatt Choan
  • 3 de nov. de 2020
  • 4 min de leitura

Atualizado: 8 de nov. de 2020

Ilustração por Giovanna Rebelatto/Infogram



Barriga solidária ou útero de substituição é o termo utilizado na reprodução assistida para nomear as mulheres que cedem seus ventres para carregar o bebê de um casal ou de uma única pessoa que não pode gerá-lo naturalmente.


Isso ocorre quando a mulher nasce sem o útero ou com uma má formação por algum motivo, porém, o restante do seu sistema reprodutor se encontra em perfeito estado. Abaixo apontamos os motivos pelos quais casais ou indivíduos solos procuram pela barriga solidária.


CASOS EM QUE OPTAM PELA BARRIGA SOLIDÁRIA

  • Mulheres com ausência de útero ou que foram submetidas à retirada do órgão (histerectomia);

  • Idade avançada;

  • Mulheres com malformações do útero;

  • Falta gestacional após muitas tentativas de implantação de embriões;

  • Doenças crónicas da mãe onde há um alto risco de morte durante a gestação, como doenças cardíacas, pulmonares ou renais graves;

  • Casais homoafetivos;

  • Produção independente do lado paterno ou materno;

Um mês antes do seu casamento, a fisioterapeuta Karlla Leal, de 32 anos, foi realizar exames rotineiros para ter seu primeiro filho e se deparou diagnosticada com câncer no colo do útero.


“Na mesa de cirurgia o médico viu que o câncer já estava na borda do útero, então naquele momento ele resolveu tirar os meus órgãos reprodutores e eu pensei o que eu faço? Entrei nessa para ter filhos e de repente me deparo com essa bomba e foi ali que o médico me falou sobre a opção da adoção e a barriga solidária”

relembrou Karlla. Após o baque, a fisioterapeuta foi pesquisar mais sobre o procedimento e com tanta informação na mão, não sabia como lidar e como pedir para que alguém fizesse isso por ela e pelo marido.


Sua cunhada, a fotógrafa Patrícia Monteiro, vendo-a chorar assistindo uma série sobre infertilidade lhe disse “você não precisa sofrer por isso, eu faço por você”. E aí começou a correria para a chegada do bebê: depois de todos os exames necessários do casal e da barriga solidária, da autorização do Conselho Regional de Medicina (CRM) e de muito apoio da família, no dia 9 de Agosto nasceu Arthur.


A mãe orgulhosa diz sobre a emoção de tê-lo ali “É uma realização imensa, nossa barriga só não cresce porque quando chega no nosso colo, parece até que a barriga cresceu e zera qualquer sofrimento anterior .”


A barriga solidária ainda é muito confundida com a barriga de aluguel, mas no Brasil ela é proibida por lei, e mulheres que carregam esses bebês só podem fazer por amor e compaixão ao casal e não por fins de remunerações.


Em países como a Ucrânia, Estados Unidos, Colômbia e Albânia permitem essa prática e são procurados pelos casais que não tem a barriga solidária. Com a ajuda de agências esse casais encontram em outros países o sonho de terem filhos biológicos.


A estudante de 26 anos, Allana Rodrigues, recebeu o convite para ser barriga solidária da tia do seu filho Miguel, a empresária Luciana Salatiel, e conta como foi a primeira sensação de ser o útero solidário e de como as pesssoas confundiam o ato com barriga de aluguel durante a gestação.


“Eu tive muito medo, confesso, pensava será 'que eu vou conseguir gerar uma criança por 9 meses e devolver para mãe porque é dela e não meu?' E o tanto de gente que perguntava se eu estava ganhando dinheiro, quanto eu estava cobrando, quanto eu ia ganhar e essas coisas. Financeiramente falando, eu ouvia muito, até hoje. Só que eu não levo a mal porque eu sei que muitas pessoas não tem conhecimento, mas é chato escutar “você que é a barriga de aluguel” e eu respondia - "não, eu sou barriga solidária, no Brasil não existe barriga de aluguel, não se paga para gerar uma criança.”

Galeria por Giovanna Rebelatto/Canva

Luciana Salatiel com o marido Luciano, sua barriga solidária Allana Rodrigues e o pequeno Pedro. Na fotografia ao lado, Karlla Leal com marido e filho e sua barriga solidária Patrícia Monteiro (Divulgação/AcervoPessoal).


Mais do que somente doar o útero, ser a barriga solidária é um ato de amor, doação de tempo e de querer que a outra pessoa realize um sonho de ser mãe. Sonho esse que foi interrompido por uma doença inesperada, idade avançada e outros fatores que acarretam na infertilidade feminina e que por alguns minutos tirou de Karlla a esperança de ter um filho biológico.


“Me coloquei no lugar dela, e fiquei imaginando se fosse eu que não estivesse conseguindo ter o meu filho e aparecesse uma pessoa abençoada, que pudesse me dar um e refletindo nisso aceitei o pedido e abracei a causa e começamos todo o processo, conversando com a psicóloga, percebo que realmente é um gesto de muito amor que eu estou fazendo por eles, eu vou carregar o Pedro sim e vão ser 9 meses grudadinhos eu e ele mas isso é algo para a gente levar para a nossa vida”

- comentou Allana sobres os motivos que a levaram a aceitar carregar Pedro, hoje com 2 anos.


Imagem por Júlia Legatt/Canva


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2020 Reprodução Afetiva. 

 

Por: Giovanna Rebelatto, Júlia Legatt, Loranny Tolentino e Nathalia Santana 

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