O tão esperado positivo
- Júlia Legatt Choan
- 5 de nov. de 2020
- 4 min de leitura
Atualizado: 7 de nov. de 2020
Infográfico por Giovanna Rebelatto/Infogram
Parece que ser mãe ou pai é uma vocação natural do ser humano, uma sensação que em algum momento irá acontecer, como se fosse uma receita de bolo. Quando você quiser colocar esse bolo para assar vai ser simples, e tudo vai se desenrolar conforme a receita manda e como aconteceu com as outras pessoas.
Descobrir a infertilidade é tirar das nossas mãos uma habilidade que acreditamos a vida toda que tínhamos: o poder de gerar uma vida. Quando o relógio biológico dos casais apta e tentam uma, duas, três vezes e a gestação não acontece, é uma mistura de emoções e parece que aquele sonho se distancia cada vez mais.
O processo do início até a consolidação da gravidez pode ser tranquilo para alguns casais mas muito doloroso para outros, por variados fatores: desde o financeiro pelo custo do tratamento em si ser um tanto distante da realidade brasileira - e consequentemente a demanda dos remédios -, até os problemas psicológicos desenvolvidos no caminho.
Receber o positivo é como se todo esse sofrimento anterior ou aquele planejamento fosse esquecido. O bebê tão esperado está ali prestes a chegar aos seus braços, zerando todo e qualquer pensamento negativo que os cônjuges possam ter tido.
Durante o seu namoro, Vanessa Fanti se deparou com a notícia de que o seu parceiro não poderia gerar um filho. “Ele me explicou que ficou com baixa produção (esperma) devido a um câncer que teve ainda criança. Como ele era paciente do HC (Hospital das Clínicas), certa vez foi falado que por uma célula dele poderia-se gerar um filho. Como não pensávamos em filhos antes, não fomos atrás, e quando resolvemos ir vimos que as coisas não eram tão fáceis assim", relatou Fanti.
Dali em diante, começou a luta do casal para conseguir realizar esse sonho. Foram muitos hospitais e tratamentos até a resposta tão aguardada.
“confesso que até hoje, não acredito naquele positivo.”
relembra a mãe Vanessa Fanti, que após duas tentativas falhas, na terceira recebeu o positivo do pequeno Leonardo, que completou um ano no dia 31 de julho de 2020.
Galeria por Giovanna Rebelatto/Canva

Vanessa e seu marido ao lado do pequeno leo e Elaine e suas filhas Juliana e Natália (Divulgação/AcervoPessoal).
A artesã Elaine Camillo e seu marido Gerson Ribas se casaram e não quiseram esperar muito para terem filhos, já que a gestação era um sonho de ambos. Começaram as tentativas e os meses foram se passando, logo resolveram passar em uma ginecologista e a resposta foi que eles não precisavam se preocupar, que um estudo só ia ser realizado caso se estendesse para um ano de tentativas falhas.
“O Prazo de um ano se passou e nada. Voltamos ao médico e fizemos uma bateria de exames e não deu nenhuma alteração que nos impedisse de ter filhos. Eu já tinha procurado na internet alguns exames mais complexos que podiam ser feitos, e como a ginecologista não passou e também não quis passar, eu mudei de médico e desde aí passei por mais 5 e os 4 primeiros falaram a mesma coisas, que era para nós termos paciência e esperar.”
Na 5º tentativa Elaine encontrou a Dr. Carla Balini, e por meio de exames mais profundos foi constatado que ela tinha endometriose e por isso não engravidava - e que se quisesse engravidar teria que fazer a indução pela FIV (Fertilização em Vitro), já que as suas trompas dificultariam a inseminação artificial, por exemplo.
Pelo alto custo do tratamento o casal foi atrás dos meios gratuitos e acabaram na clínica Huntington em São Paulo, mas para isso teriam que fazer a ovodoação. No entanto, a artesã já estava com mais idade do que a permitida para realizar esse procedimento e então ela precisaria ter duas mulheres que se encaixassem nos prés requisitos e fizessem a doação para que ela e o marido conseguissem fazer o tratamento.
“Resolvi contar para todo mundo. Uma coisa que ninguém sabia acabou sendo uma coisa que todo mundo tinha que saber. Comecei a contar para quem eu conhecia e para qualquer pessoa, torcendo para que uma delas se oferecesse.”
Depois de muito esforço e tempo, as doadoras foram encontradas e o processo foi realizado. Foram colocados três embriões no ventre da tentante, e em um sábado de manhã veio o positivo.
“Liguei para a clínica e a recepcionista me falou “ Deu positivo", não sei nem quantas vezes eu a agradeci. Foi um peso tirado das minhas costas. Até acreditar “Nossa, estou grávida” demorou um tempinho, mas graças a Deus deu tudo certo e depois de tanto tempo eu finalmente consegui.
Dos embriões injetados, apenas um vingou, e depois de uma gravidez de risco, a menina Juliana nasceu de parto cesária. Elaine voltou a tomar pílulas anticoncepcionais depois do parto para fugir dos efeitos da endometriose, mas sentindo a necessidade de voltar a menstruar logo interrompeu o uso após sua médica afirmar que ela só poderia ter mais filhos se passasse novamente pelo processo da reprodução assistida.
A surpresa, é claro, veio sem qualquer planejamento: após dois meses sem métodos contraceptivos e percebendo a falta da menstruação, Camilo descobriu que Natália, hoje com 7 anos, estava a caminho para completar a família.
“Sempre sonhei em ter duas filhas e já estava conformada em ter somente uma, mas foi aí que recebemos a notícia que eu estava grávida novamente. Não sei como e porque, depois de todos os trabalhos e problemas que nós enfrentamos para do nada eu estar grávida outra vez.”




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